Histórias do Metro 7 - O Maratonista do Anhangabaú

Saudações companheiros de taverna! Após uma aventura um pouco mais longa do que o esperado, o ardo retorna mais uma vez a este humilde castelo com mais um conto, dessa vez sobre "Monstros Sagrados" que habitem as profundezas de tuneis escuros, mais conhecidos como metro. Para os viajantes que estiverem dispostos a ouvir minha história, digo que todos os fatos são veridicos, presenciados não só por mim e que se quiserem provas da veracidade do conto, basta seguirem as recomendações denro do mesmo...

Então levantem suas canecas de hidromel e vamos a mais uma História do Metro...

(Metro e muvuca: sempre juntos...)




O Maratonista do Anhangabaú

Caro leitor, se você mora em São Paulo sabe que aqui tem de tudo: Nordestinos, Sulistas, Estrangeiros e claro que Paulistas. O próprio Brasileiro em si já é uma mistura fascinante, cheio de costumes herdados de diversas culturas, um mundo dentro de um país. Isso faz de nós únicos, alegres e diversificados, abertos a experiências fora de nosso cotidiano, um povo do futuro.
O problema é que existem pessoas originais demais por aqui, ainda mais em uma das maiores metrópoles do mundo onde tem a parada gay (que tem mais adeptos do que alguns movimentos políticos), carnaval e outros eventos que atraem pessoas das mais “originais”, para não dizer bizarras (sem falar nos políticos...), como o no pants day (que agrada a alguns mais pervertidos) e o MC Hammer day (que tem tantos adeptos quanto o cristal do Acre tem torcedores).
Mas constatações a parte, em épocas de eventos dessa magnitude, claro que é completamente normal pessoas assim aparecerem (dos cantos mais obscuros imagináveis), mas me pergunto por que parece que todo dia é dia de evento, pois quando menos espero vejo algum desses seres bizarros em locais públicos, como se fosse normal andar feito um Power Ranger (ou Space Ghost para os mais velhinhos) no metro ou em outros lugares (nem me pergunte onde).

(no pants day: ja não basta ser encoxado com calças, imagina sem...)


Vamos conhecer alguns desses monstros sagrados do metro nessa história e nas próximas duas continuações dela. Certamente alguém já se deparou com algum deles (e sobreviveu para contar história) e talvez com sorte (ou não) poderá vir a encontrá-los.
Neste inicio de 2010 este que vos escreve estava em seu período de férias escolares, apenas estagiando (vagabundeando) pela manha. Para poder continuar encontrando com minha namorada (como eu amo ela...), passei a aguardar com ela dentro da própria estação até a hora em que ela se encaminharia ao trabalho e eu para minhas férias.
Bom, nesse meio tempo, mais ou menos em um intervalo de uma hora e meia, reparei que existem alguns personagens bizarros nas estações do metro, no nosso caso, no Anhangabaú. Nesse artigo vou falar sobre o dia em que conheci o Maratonista do Anhangabaú.

(irlandeses não gostam de maratonistas...)

A situação era a seguinte, eu e minha amada, sentados naquele banco azul para obesos, na extrema ponta do metro Anhangabaú conversando sobre coisas alheias (uma cena assaz romântica por sinal).
Nesse período reparamos que varias coisas acontecem naquela bendita estação, primeiro porque encontrei vários amigos naquele local, inclusive um que até hoje é “motorista” de metro e me fornece algumas histórias, mas fiquei abismado no dia em que um cara vestido de super-herói, com uma roupa amarela cor de banana (alguém se lembra do Ed banana?), entrava na estação, acompanhado por aquele anão “Robinho”, ex Pânico na TV e agora garoto propaganda do mundo games (uma baita evolução), que estava vestido com traje anos 80 e Black Power loiro e salto alto plataforma branco, ambos gritando e berrando para gravação de um programa (entendeu porque fiquei abismado?).
(Alguem lembra?)

Claro que nos afastamos para não pagar o mico de sair na TV (o que já não é bom) perto de uma bizarrice dessas. O cara parou na plataforma com aquela cueca vermelha por cima do traje amarelo apertado (que meda!) e toda vez que o metro chegava à estação ele fazia umas bizarrices como fingir que podia parar o metro com o poder da mente (o que muitas pessoas fazem se jogando na frente dele), ou “salvando” alguém de dentro dele (o que o empurra-empurra do Brás faz com mais eficiência).
Eles filmaram e filmaram, mas logo foram embora, isso foi no mesmo dia em que abriram o embarque preferencial na sé. Mas isso não é o mais importante desse relato e sim esse ícone que agora vão conhecer.
Após três dias ficando no mesmo banco do metro por mais de uma hora e exatamente nesse dia do super banana, percebemos que havia alguma coisa de estranho com um aparente usuário comum (depende do que é comum para você) do metro, que sempre aparecia na mesma hora e local, cronometradamente.
Imaginem vocês um senhor de aparentemente 63 anos, vestido com camisa social, paletó, gravata, aquela calça “centroupeito” (aquela que o cinto fica nas tetas) e pasta de executivo, um típico trabalhador do vale do Anhangabaú (inclusive com a mesma cara de poucos amigos), onde existem vários escritórios de advocacia e prédios que precisam de um porteiro. A primeira impressão é daqueles tiozinhos barrigudos e simpáticos, os bons velhinhos (só que sem as renas).

(Era parecido com esse, fora a pose de power ranger e a gravata borboleta com suspensório...)

Mas como todas as histórias que aqui escrevo; algo estranho sempre acontece, no caso era o comportamento do bom velhinho. O tio simplesmente vinha com sua pasta, caminhando por toda a extensão da plataforma até o momento em que chegava à extrema ponta onde fazia uma curva de 90 graus, bem no estilo robótico indo até a próxima extremidade, fazendo a mesma curva, assim descrevendo um retângulo na plataforma, aproveitando cada centímetro da mesma, parecia um cavalo adestrado robótico, com cabresto, andando sempre em linha reta, cumprindo um programa (JAVA?) estipulado.
O mais bizarro é que o tio não fez isso apenas uma vez, fez duas, três, quatro vezes, deixando minha pessoa com aquele ar de espanto e curiosidade, imaginando se ciborgues realmente existiam.
Os dias passaram e exatamente entre 13h00min e 13h30min o homem cumpria o mesmo programa (JAVA denovo?), com o mesmo uniforme, com as mesmas curvas de 90 graus. Nos primeiros dias imaginei que fosse uma espécie de inspetor da estação, avaliando o metro e tal, mas do segundo dia em diante tive a sensação de que o tio estava na verdade fazendo sua caminhada matinal (no caso vespertina) dentro do metro Anhangabaú (ou estava planejando um atentado terrorista).
Por que cheguei a essa conclusão? Bom, após um debate com minha namorada, analisamos o fato de ele sempre aparecer no horário de almoço e consumir metade desse horário dando voltas na estação em passo acelerado. Colocando como adendo o fato de na sexta-feira aparecer sem o uniforme de porteiro, mas sim com calça jeans e camisa (nas sextas você pode ir com a roupa que quiser em algumas empresas). Portanto é a única explicação lógica: o cara gosta do metro e usa-o como trilha de caminhada (Não é uma solução tão lógica assim, mas tem louco para tudo...).
(Para ser um campeão treinar é preciso... Mas precisa ser no metro?)

Mas vamos ser um pouco mais críticos, caro leitor: O que leva um ser humano a entrar na plataforma de uma estação de metro (que em alguns horários vira um inferno) e praticar caminhada atlética? E questiono mais! O que leva esse mesmo ser a fazer o mesmo percurso de Indianápolis com setecentas voltas todo santo dia e de roupa de porteiro (exceto nas sextas...)? Pra que? Pra que? É demais para meu intelecto inferior... Se alguém fizer idéia do motivo para necessitar disso, por favor, me diga, pois já desisti de imaginar o porquê disso...


(Olimpiadas a rigor?)
Se você passa pelo metro Anhangabaú (ou é um curioso desocupado...) aguarde e confirme por si mesmo a existência desse ícone, monstro sagrado, do expresso subterrâneo paulista. Quem sabe não vira moda fazer caminhada no metro (até pode virar prova olímpica, modalidade subterrânea).

(metro e maratona: é tudo a mesma muvuca...)


E aguardem vampiros luminosos, pois Blade está à solta em uma estação próxima a você, esperem o artigo seguinte...
Histórias do Metro 7 - O Maratonista do Anhangabaú Histórias do Metro 7 - O Maratonista do Anhangabaú Reviewed by Vileblade on 24.6.10 Rating: 5

4 comentários

  1. Esse cara visitido de Super Heroi é um personagem dos Legendarios da Record(vulgo programa do Miom) ele é o Super estição (Saco?) o heroi Brasileiro, que pega metro busão etc ... sim é tosco

    Já o Velinho daora... eu e a Rosinha já ficamos passiando no Metro Tatuape de um lado ao outro ...

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  2. uhsausahasuahsuasas

    passear no metro é classico......mas todo dia??

    esse tiozinho deve estar planejando suicidio XD

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  3. suahsuahsuhasuhas

    Gente era muito hilario ver esse tiozinho todo dia perambulando no metro. Teve dia de eu querer ir la perguntar o pq ele fazia isso,mas a vergonha não deixou ^.^

    Agora aquele Ed banana é tosco mesmo Aff. Bem que eu fugi das cameras pra não aparecer nesse programa de quinta categoria. sauhsuahsuhaushuashu (piadinha infame...HEHE)

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  4. Faço as palavras do Soueid as minhas, com ressalvas:

    Passear no metro todo dia até da para encarar...

    Mas fazer maratona no mesmo ja é demais...

    e a parte do se matar na verdade é um atentado terrorista sem bombas, para acabar com o transporte publico da superpotencia brasileira imperialista capitalista...

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